terça-feira, 2 de dezembro de 2014

aqueles textos perdidos na gaveta sem data



É de noite que as coisas acontecem, é a noite que os fantasmas, as fadas, papai noel, os ídolos do rock aparecem.  Saudades de quando além de tudo isso você também aparecia. A noite é que os pensamentos mais aclamados do dia retornam a cabeça. No escuro, acalentado, suculento e bonito repousa o corpo nu, sinuoso, formoso e bonito. Por fora tudo pacato, tranquilo. Por dentro os pensamentos do nada, interrompem um vazio. Do silêncio a efervescência, tal como a tranquilidade da água: quebrada ao ser atingida por um comprimido efervescente de aspirina. Naquela noite decidiria seu próximo destino.
Destino este que sempre fez suas escolhas ao acaso, desatinos que tentam ser entendidos a noite. Seja no bar, seja na insônia de sexta-feira a noite no interior, onde não há nenhum bar aberto por quilômetros.


‎sábado, ‎11‎ de ‎janeiro‎ de ‎2014, ‏‎01:42:30

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A Cura Hetero


Vou parar. Já cortei da dieta carne, leite, ovos, mas ainda não cortei o sofrimento animal da minha vida, me refiro ao meu próprio, meu amor próprio. Preciso parar de comer homens. Vou me alistar no exercito gayzista e implementar nossa ditadura da minoria oprimida, vamos sair matando homens, heteros, cis, brancos, pais de família. Mataremos o poder hegemônico. Não sobrará pedra sobre pedra. “Você está sendo extremista, estás sendo radical”— me dirão. Provavelmente um desses homens que citei que se sente oprimido por não vivenciar a verdadeira opressão. “Eu posso entender a opressão sem vive-la”. Não, querido, tu jamais saberás e por não saber em algum momento tenderás a menospreza-la. “Ah, vamos, você está exagerando” – me dirás. Tu me dirás que sou extremista ao declarar guerra, mas creio que isso seja mera formalidade. Declarando guerra estou apenas jogando na cara da sociedade aquilo que ela vira a cara para não ver. Todos os dias mulheres são violentadas, ameaçadas, subjugadas, estupradas, desfiguradas.  Mas quem está sofrendo é você homem privilegiado que quando pela primeira vez não é ouvido, não sou obrigada a lhe dar atenção. Todos os meios já lhe dão voz. Essa ecoa o tempo todo. Fomos criadas ouvindo essa voz do Grande Irmão nos dizendo o que fazer, como nos portar, nos culpabilizando por tudo. Não sou obrigada a te ouvir, já sei tua opinião e opressor e oprimido nunca chegarão em um consenso. Não há igualdade em uma relação heterossexual. Não existe liberdade sexual enquanto não houver igualdade de gênero. Não existe amor livre para quem nunca aprendeu a amar.

terça-feira, 22 de julho de 2014

entre curitiba e santa catarina

viver em curitiba dói
é uma dor q vicia
mas ainda assim
uma dor que angustia

-fiz ate uma poesia,
não enxergas a dor em cada esquina?

em santa catarina o sol predomina
sol me remete alegria
mas sim, curitiba é poesia
é dor q vicia
desatina

terça-feira, 1 de julho de 2014

p.10

De fato já não sabia. O livro que havia aberto a deixou angustiada antes da página 10. Conhecia o escritor de longa data, no entanto, pouco restou com o passar do tempo. Ao adquirir o livro em suas mãos com cheiro de impressão recém-feita, folhas sem nenhum manuseio: taquicardia. As mãos começaram a suar, melhor postergar a leitura. Não, não conseguia se afastar do livro sobre a mesa. Adiou então os compromissos e se debruçou. De imediato, tentou se identifica com alguma personagem como se, de algum modo, aquilo pudesse lhe conectar com alguma parte de seu passado. O livro falava de emoções, de empatia. Ao contrario do que ela costumava presenciar no passado de seus dias. Nada havia mudado desde o ano passado, apenas que havia concluído tudo que estava fazendo na época: o estágio no laboratório de análises clínicas, as viagens, o namoro, até mesmo a vontade de se envolver. E, pior do que isso, não só a vontade de se envolver apaixonadamente, sexualmente, ideologicamente com alguém, a vontade de se envolver com qualquer coisa. Apenas ia levando, sem criar vínculos. Passava os dias bem, as noites pouco fazia, o frio não lhe dava vontade de nada a não ser dormir. A beleza já passara despercebida, os prováveis problemas futuros já interviam sobre ela. Essa série de pensamentos passavam em sua cabeça enquanto fingia para si mesma ler o livro. Chegada a página 10 pegou uma seda, colocou no bolso direito da camisa xadrez, pegou a bicicleta e saiu.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Limbo



Vai passar. Pode ter certeza. É mais um daqueles momentos de mudanças onde não conseguimos achar nada do que procuramos, está tudo encaixotado, nos moldes da abnt. Está tudo certo, correndo plenamente bem. Faze de transição é isso. Onde com o corpo em cima da cama nos debrussamos para ver os monstros que moram de baixo dela.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Drogas, o problema do mundo?

Droga: substância ou matéria-prima que tenha a finalidade medicamentosa ou sanitária; qualquer substância que previne ou cura doenças ao causar alterações fisiológicas nos organismos... Tanto as para os seres humanos quanto para o meio ambiente, quanto como funcionam, de onde vêm, o que são. Só na universidade para entender. Talvez seja parte do mal das drogas. Mas isso na verdade é só um modo de explicar O QUE ELAS PODEM CAUSAR.
http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2013/08/05/ritalina-e-os-riscos-de-um-genocidio-do-futuro


As vezes de modo meio exagerado, mas escancarando a problematização da aceitação ou não de uma droga ser proveniente da INDÚSTRIA FARMACÊUTICA um melhor refino, feito por doutores tecnocratas. A invenção da BAYER, se é BAYER é bom?
http://2.bp.blogspot.com/-yEwIR1cgVbA/TuCQLtnNT_I/AAAAAAAAAHo/ULjAiIUwAN0/s1600/bayer-heroin.gif
A Bayer criou a heroína como medicamento para diminuir os danos do vicio em morfina.
http://hypescience.com/10-inacreditaveis-propagandas-antigas-de-cocaina-e-outras-drogas/
 

O que muda com os anos é o conceito, o que influencia muitas vezes no vicio é a condição social
http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/cocaina-e-crack-diferenca-e-classe-social-de-quem-consome/
O que torna algumas drogas como o alcool que tem danos muito mais severos ter venda livre e a maconha se banida, proibida. Interesses mercadológicos, ideologias eurocêntricas.
 

O problema são as drogas ou são a sociedade? Proibindo consomem-se drogas alteradas, vinda de caminhos ocultos. Comprando da indústria farmacêuticas você financia uma indústria que torturou milhares, das mais diversas formas, em seus testes, em seu modo de tratar a sociedade produtivista. Tal como o soma de aldous huxley. http://letras.mus.br/the-strokes/38770/traducao.html
Não sei, talvez isso tudo seja papo de gente das humanas... Malditos hippies comunistas...

Bem como, esta é uma conversa de todos aqueles que fogem do senso comum e da desinformação da grande mídia.

http://hypescience.com/10-inacreditaveis-propagandas-antigas-de-cocaina-e-outras-drogas/

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Simétrica Beleza

Qual seria o sentido da simetria? Qual sua vantagem evolutiva? Dizem que temos vantagens em ter órgãos duplos como o rim, estragou um temos reserva. Mas e os órgãos que mesmo sendo únicos possuem simetria? Simétrica afeição amorfa. Dizem que quanto mais simétrico os traços mais bela a pessoa. A simetria da afeição pode até servir aos padrões, mas de certo modo, me entendia. A simetria e sua perfeição, seus dobramentos precisos, seu tédio infinito. Onde a simetria realça, em mim nada evoca: a estrutura cópia perfeita. Gosto dos desníveis, da quebra da proporcionalidade. Pessoas de nariz imponentes, olheiras permanentes, cicatrizes de quem viveu além de uma vida aparada. Chamou-me atenção por algo de diferente em meio ao tédio comum exalado da mídia publicitária. Em meio a chateação da rotina um olhar lança-se sobre matéria desconhecida, inexplorada, pouco observada, longe de ser o foco das lentes, perto de mim passou. Nem sequer percebeu o olhar que lhe foi lançado, pelo costume de viver em outro espaço.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Não tem bom dia!

Próximo a rodoviária, eu de bike presencio a seguinte conversa:
- Bom dia!!!
- Não tem bom dia...
-??? *WTF?*- pensa
- É! Assim a gente já evita um monte de conversa - olha para mim e espera minha aprovação - né?-
Eu então respondo: -Desculpa, cara (vulgo senhor)! Curitiba é foda mesmo.

E viva a cidade sorriso, escrota e truculenta como só ela.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013


O silêncio úmido de tua boca pulsante
Conta-me as novidades varridas pelos anos
Suscita sacrilégios
Mudos, suados

Antes perdoados do que esquecidos
Tacitamente escorrendo
Sob nossos pensamentos sucintos
cambaleantes; flutuantes.

No escuro agridoce dos quadris
o colorido pulsante

perfumado
perfurado
cortejante
conveniente
convincente
cortante
confinado
confidenciado

Lembra-me das doces noites
Frias tardes de gostos fortes
sabores intensos
sedosa pele sinuosa
situa-me ao teu lado
perto; alhures


sábado, 29 de dezembro de 2012

Os Fins

"A escória da vida cotidiana transformada em ouro fino"
Erderby sobre sua poesia

Primeiro fim de ano longe do mar
- ao menos dentre os quais sua mente consegue recordar-
assiste o escoar gelationoso da cidade
derretendo sobre o imenso calor
dissolvendo sua intensa movimentação
escorrendo serra abaixo
esfriando-se assim a cidade fria, frívola, fria.

Em um pedalar gotejante
sente por completo.
Em meio ao silencio e a calmaria
nunca estiveram assim sozinhos
aprecia o atrito com suas curvas sinuosas
seus altos e baixos desliza

Já não pensa em nada,
tudo em pausa,
inércia programada,
ócio solicito

[...]

Carta de alforria
Papeis assinados
Certidão de óbito entregue
após anos de burocracia e prolixidez 
enfim eutanásia

Sentia-se como Rosemary ao comemorar
em silencio a maioridade de seu filho
livre para o mundo escravizar
o criou com zelo, não teria coragem de matar
comemora em silencio irresponsável
irremediável
no entanto, não poderia mais ser responsabilizada
não era sua culpa.

[...]


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Reencontro


Um longo olhar disfarçado de descaso,
Uma breve despedida, um fracasso disfarçado
A verdade ríspida escorria pelo canto da boca
A ressaca dolorosa inunda a cabeça de lembranças
De um merlot a um gin
De uma esperança incrédula
de um passado que se propagará até o fim

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Per te

Para ti, o melhor e o pior de mim,
O que de mais valioso poderia lhe oferecer?
O que de mais profundo e profano?
Ofereço lhe simplesmente meus pensamentos,
meus ócios, meus devaneios, uma companhia
e uma certa boemia,
O que poderia lhe dar de mais valioso
do que meus momentos de solidão
querer dividir aquilo não se toca.


domingo, 9 de setembro de 2012

Eriçar


Sentiu arrepiar a nuca desnuda,
a embalar os curtos fios de cabelo despenteados. 
Um odor peculiar; 
algo entre hortelã canfora e ozônio; 
sugeria um frescor levemente incomodo, 
mas há muito aguardado. 
O vento modificava a paisagem,
os grãos de areia colidiam com as panturrilhas,
se mostra favorável
a partida, 
a novos rumos.

Içar ancoras!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Para o Passado - Ausente Presente -


O céu escurecia escarlate, a chuva regava o mar truculento, que tudo trazia. Exceto aquele que a partida me entristecia. Há muito cansada de esperar, noites perdidas ao luar observando o barulho, ouvindo o escuro, coração em intenso palpitar; 

taquicardia ao ritmo de fantasias, lembranças quase esquecidas de um passado quase vida, quase real. Não o via, mas o sentia, o vento a envolvia, excitava seus mamilos.
Frio doído, úmido e envolvente, cantarolando aquela canção onipresente. Embalando sua mente, acariciando seus longos cabelos negros. Areia entre os dedos, vento nas costas desnudas, cicatrizes exibem-se na ágora vazia, acariciadas levemente encobertas pela água salgada. Ela mergulha e o reencontra na profundeza silenciosa, fria e infinita.

sábado, 25 de agosto de 2012

A Brisa Avisa


Então a chuva começou a derramar voluptuosamente sua torrente de águas ardentes, arrepiantes, ardias e ariscas, tudo estava desculpado, tudo estava lavado, perfumado pelo ozônio, purificado de dentro para fora. Tudo, todas as paisagens eram cinema, preto branco, eterno e clássico. Clássico como ele, clássico como não era meu personagem.


Lésbica maconheira designer deslisava ziguesagendo, deslisando sobre o asfalto molhado, contemplando a curvatura das sinapses, livre rente ao solo, prestes a levantar voo... Tudo estava perdoado, nada necessitaria ser cancelado. O tempo já o fizera por ti, oh nobre criatura, angélica e alada, nos encontraremos em alguma viagem por terras distantes.

Nada precisava ser perdoado.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Convite

Calmaria, sol, vento, concreto, equilíbrio, rua, movimento - simples seguia. O som é interrompido, telefone toca. Ouve-se a proposta, procura-se uma desculpa para não aceitar, não encontra, não vê motivos para não entregar-se, convence a si mesmo a entregar-se.
Vento, sol, BR, movimento, foge rapidamente da rotina, deixa o concreto pela areia, desce a serra, reencontra o ar.

domingo, 22 de julho de 2012

A Grande Tela

Olhava para mim,
nada poderia fazer, 
nada estava sob meu domínio, 
apenas sentir e sorrir.

Olhava as gotas no copo de conhaque.

A câmara se move,
sou cinegrafista:
Movimentação intensa, entropia.
O coração sempre começa ser auscultado
no além infinito gira o mundo som
alguém volta a falar,
não mais o coração,
mas dos Beatles, uma canção.

Let's draw
Epifanias
Clarice Linspector.
Kafka, 
Baratas, Musica eletrônica
Beatles

A câmara faz ahsim


Musica
Conversas alternadas
Palavras
Chamam o gato

Fala-se e vê-se o mundo 
como um espectador
HD 3D
mas não era a marionette perfeita

O gato Pula Psicodélico (pSicodélico)

Stgent PePPere chimarrão


Hoje foi muito mais rio grande,

narguiLI - desastre LI

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Algumas linhas

Noite fria, cama vazia, cheia de pensamentos,
Isenta de gemidos, ensurdecedores urros do mais brando silencio.
Ia escrever, mas me deu preguiça.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Café preto sem açúcar


Era ansiosa
As vezes
As coisas
eram como café:
deliciosas, fortes, intensas
quando quente,

porém...
[...]

No entanto,
Estava se curando
Isso também estava
passando lentamente
por entre o filtro
com água quente

Corria-se o risco de transbordar,
de borbulhar e queimar
aquele que ousasse experimentar
no impeto flamejante
chafurdar

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Feira do Escambo

"Feira do Escambo:
Uma vez por mês 
no nosso pátio da reitoria."
Obs.: Estanho habitat de sutis e surrais criaturas.


Trocou seus escritos
por três caixas
de citalopram

Trocou seu amor
por uma quantidade razoável
de pessoas
simples,
porem sinceras

Trocou o medo do relógio
por segundos eternos
em cima de uma montanha,
na beirada da cama

Trocou suas dúvidas
por dívidas
pagas em cerveja
divido por todos igualmente
tanto o pagar,
quanto o tomar,

Trocou seus escritos  frios, solitários, planos em papel pálido
por companhias homeotérmicas, quentes, coradas de carne e osso,
com curvas, cores, vãos, declives, textura.



Tive medo de te esquecer,
Tive medo de parar de sentir,
Lembrei-me que estava a me divertir
Voltei a meus afazeres.

domingo, 22 de abril de 2012

Quebra do Silêncio


Disse aquilo que não deveria o grito que obstruía minha fala e se quedava silencioso a brandar em minha alma. Preferi dizer sabendo que iria doer e inflamar, no entanto, inflamação aguda, que tende a se regenerar em algum momento, melhor do que essa inflamação crônica do silencio que fica me destruindo de forma silenciosa, que nunca vem à tona, que corroí por dentro: o pior dos males da caixa de Pandora, a Esperança. Ela em sua forma latente, cega, surda e muda.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

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Poderia na não-existência o vazio existir?

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Arrepio

Finalmente um primeiro contato, leve afago, continuação exponencial; do simples tocar, quase sem querer, a cena é cortada para um beijo; ao mesmo tempo que os lábios se encontram ela sob sobre seus quadris; movimentos pélvicos pronunciam detalhes das cenas vindouras.

Após tanto tempo a trocar de olhares, tantas declarações no silêncio, tudo virava concreto, tocável, moldável... Os sussurros substituíam as palavras, a respiração seguia no ritmo descompassado das mãos que exploravam o desconhecido.

A cena muda novamente. 
Seguem par a o quarto, iluminação baixa, suficientemente apropriada. As roupas a caírem no chão de modo dessincronizado, a pressa expansiva maestra a cena. O parnasianismo afasta-se e esconde-se não há porque buscar o belo, simplesmente por ele. Buscam o sentir e não mais admirar, toda a estética dá lugar à profundidade.

Caem as roupas, assim como eles, da cama, a embriaguez joga seus efeitos sob a atmosfera, o cair não interrompe o acontecer, estende-se sob ele, encoberta, encobre.  A temperatura aumenta, os sussurros tornam-se urros, a garrafa de vinho é entornada, abre-se a janela. A lua ilumina as faces enrubescidas, e da mesma forma dessincronizada tudo recomeça  como se fosse o primeiro encontro, então se repete, repete, reee-pete, reptee... repet...

Passeio noturno e cambaleante sob a lua, sobre as ruas, pelos bares. 
Só então o cair dos olhos, o desmaiar do corpo, um sobre o outro.

Pico de cortisol, os olhos abrem, recomeçam os encontros. O mito é comprovado de modo suave, com resquícios do vinho, notas de empirismo e discordâncias. Breve momento no qual o tabu é quebrado e palavras prounciadas;
-Você havia se planejado para isso?
-Não, apenas sonhado.
Nada mais precisava ser dito, eram apenas sussurros


Foto: Martin Kovalik
Um dos meus favoritos

sábado, 17 de março de 2012

Escritos

Esse fim de noite, 
esse fim de dia,
essas histórias
cismam em não terminar.

Tudo que ronda minha mente,
 finge estar em meu coração.

Saudades de ti inexistência criada sordidamente sobre o idealismo de meus devaneios.
Escrevo o que se encontra no passado imerso em meus pensamentos, se este fosse presente, se fosse palpável apenas viveria, quando este não me é possível torno a transcrever.
Isso explica um pouco dos assuntos com um fim já delimitado, contidos em si e em minhas memórias, as quais são estas a única prova de tal existência, prova esta altamente refutável daquilo que há muito já não existe senão na mente de quem o cultiva.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Emêse

Fadigado,
insiste em andar em círculos,
a vertigem lhe alucina,
Confere-lhe perda
de toda e qualquer clareza.
Fala sozinho,
respondido pelo eco do lugar vazio.

Esse estado ébrio
conferido pela sobriedade do ser.
Sabia não ter saída;
Tarde demais,
Estava adita.

sábado, 10 de março de 2012

The Naked Reading



Devorava escritos,
como quem literalmente come
devorava as palavras rapidamente para saciar a fome,
outrora degustava lentamente.
Sempre procurando um chocolate em meio à despensa,
Buscando, no entanto, um meio amargo ou com pimenta.

Foto retida de  Obvious, um olhar mais demorado
Vale a pena ler do que se trata


segunda-feira, 5 de março de 2012

Discussão de Gênero

Cortaria meu clitóris para me afugentar destas dores
Abnegaria dos prazeres carnais
para ser tratada com um pouco mais de respeito
Um pouco menos de mentiras
Um pouco menos de machismo

Garotos de esquerda fascista,
Que se dizem feministas
Conheci alguns,
Apaixonei-me
Perdidamente
Doce utopia ao deslizar por entre as minhas pernas
Doces lábios que saiam do discurso e embalavam meu imaginário

Palavras belas, escolhidas para demonstrar maior erudição
Sempre garotos da área de Humanas,
Humanos, demasiadamente humanos
Ser desumano:  típico dos ser humano
Nunca entendi a Etimologia

Aquele estudante de comunicação que se calou
Para mim para todo o sempre
Foi quem me conduziu ao psicólogo e ao psiquiatra
Pensei que estaria passando dos limites ao sentir tudo aquilo
Queria um anestésico forte

Ele se calou em repudio as minhas palavras grossas
Ao meu escárnio, sarcasmo e ódio incontidos
Passei a pensar que a culpa era minha
Ele poderia dilacerar minha alma,
Eu assim havia permitido,
Ele era inocente,
Nada que eu havia falado fazia sentido
Não deveria tê-lo xingado

Mas melhor manter-se calado,
Assim ninguém mais é enganado,
Tal como ela havia sido
Eu seria a próxima da fila

Aquele outro pregava o amor livre,
Queria um relacionamento aberto,
Falava de feminismo.

Adentrei um relacionamento aberto onde
Ele pensava que só ele era inseguro
Onde eu era a vadia, prostituída
Onde ele poderia amar duas
E ele não se continha
quando eu conhecia
outros lábios
Todos parecem iguais,
Direita ou esquerda
Ele me disse não perceber seu machismo
Eis o problema da acomodação

domingo, 4 de março de 2012

As Badaladas

Nas madrugadas
envoltas pela ressaca,
dor de cabeça,
peso na consciência,
reconsidera-se a 

existência,
véspera de dia útil,
cabeça não descansa
a torrente de idéias
desconexas afoga
o ser humano.

Revirava-se na cama, levantava, tropeçava,
pisava sob os pensamentos coerentes,
batia o dedo no tocante,
chafurdava-se
no
interior de
seus monstros.

Escondidos
debaixo
da cama,
dentro
do ser
Prestes a
explodir,
prestes a
enlouquecer.

Suas vontades profanas a cercar sua vida;
busca escritos,
busca outras vidas

Espelhar-se e tentar dividir o peso da existência com desconhecidos,
apoiar-se sobre o frágil. Pisar sob cacos de vidros pensando se estes, pelo menos por esta única vez poderiam ajudar
a sustentar
o corpo
frágil e fraco. 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Novo Layout

A mudança se deu, pois pensei que seria melhor ter uma imagem mais autoral no título do blog, acabei por mudar o fundo e essa versão ainda não está bem fechada. 
O que acharam?

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Anatomia


Passado alguns dias em uma cafeteria escondida,
um pouco de verde em meio ao cinza, 
onde eles eram os únicos a falar uma língua latina
surge um tema da consistência do ser humano:
não compreendia a beleza envolta em 
um corpo sem vida, envolto em resina.
Dissecação anatômica perfeita,
mostrando cada detalhe ignorado
sob o manto da pele.

Aquilo somos nós, aquilo era o que ignorávamos pedaço protéico a se decompor lentamente, nossa glicerina: nossa vida a qual tentava resistir com mais flexibilidade ao passar do tempo.

Tocando e espalhando-se na matéria sobre a gélida mesa de metal espelhamos e contemplamos a beleza e desenvoltura da morfologia deste animal chamado o homem.

Não compreendia a beleza do cadáver aquele que nunca se debruçou sob o corpo cadavérico de um desconhecido, amou aquele que se cedeu além vida para o desenvolvimento cientifico ou lamentou o passado daquele pobre indigente de estomago atrofiado.

Nunca gostou das aulas de anatomia, o formol irritava a mucosa nasal e seus olhos lacrimejavam. Enquanto todos tratavam aquilo como uma peça, ela ficava a pensar sobre as reflexões que haviam habitado a juventude daquela hemicabeça, talvez o formol fosse mera desculpa.


Créditos da  foto
Obvious: um olhar mais demorado 
Ótimo blog por sinal

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Manhã de Sábado

-Bom dia...
-Bom dia...
-...
-zzzz....
-Não vais levantar?
-Sinto não possuir forças.
-Hm.

Começava-se o dialogo mudo entre dois quase desconhecidos, mente ainda adormecida, tentando refazer os caminhos da noite anterior. Dialogo com meias palavras, conduzido de modo pausado, sussurrado, desritmado, descompensado, arrastado, esbarrando entre os lábios que tendem a se fechar, de modo a fazer companhia aos olhos. O sol de sábado iluminava minimamente o quarto, iluminava o corpo pálido com ossos proeminentes.

O protocolo fora quebrado, deveriam levanta-se e despedir-se. Ficou lá, o tempo a transcorrer. Ela resolve colocar um sobretudo e ir a farmácia, sai então de modo indiscreto, sobretudo frente ao sol, chinelo, resquícios de maquiagem da noite passada, cabelo despenteado, exalando a fumaça de cigarros alheios diluídos em suor e fluidos. Olhar desinteressado frente aos olhares de reprovação. Pega um pacote grande de preservativos e uma escova de dentes, sem cerimônias, paga, guarda no bolso e volta pelo caminho em seu andar rastejante sob as havaianas que quase se perdem pelo caminho.

Lá está ele do modo como o deixou.
-Comprei isso aqui... Faça favor de usá-los já que vai ficar ai... -  Diz ao colocar sob a escrivaninha.
-Hm...
-Vai comer?
-Não, não precisa. Não consigo sair daqui...
-Vou pedir comida para a gente então.
-Não tenho dinheiro.
-Eu tenho... Não dá nada.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Garoa e Vinho Tinto



Voltei, o silencio permaneceu
Ficara para sempre em seus lábios

Ao contrário de mim

Não se pronunciara no inicio
Calou-se para sempre ao chegar o fim

E assim tudo acabou como se nunca houvesse existido
Como um devaneio unilateral mantido em segredo eterno




Créditos da Foto
Modificado de
http://www.saopaulo.sp.gov.br/bancoImagens/albuns/7010/_d30075.jpg

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O silencio ocupa a alma, o branco encobre o papel, os músculos fadigados recusam-se a tecer mais uma história. De repente não há mais o que falar. Por quê? O que mudou? Ao pensar sobre isso me lembrei de seus escritos... Sinto antiga palpitação, assunto antigo, no entanto a euforia repete-se como da primeira vez. Por que não aceitas de uma vez? Por que não consegues conviver com isso? Por que não paras? O que tem você? Começas a perder-te no meio de toda insanidade, começa a delirar como Raskólnikov, começa a compreender Werther. Não, nunca acreditou que tudo aquilo foi amor, era apenas uma idéia fixa. Muitas pessoas morrerem disso, uma lástima que a elas não cabem as estatísticas.