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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Garoa e Vinho Tinto



Voltei, o silencio permaneceu
Ficara para sempre em seus lábios

Ao contrário de mim

Não se pronunciara no inicio
Calou-se para sempre ao chegar o fim

E assim tudo acabou como se nunca houvesse existido
Como um devaneio unilateral mantido em segredo eterno




Créditos da Foto
Modificado de
http://www.saopaulo.sp.gov.br/bancoImagens/albuns/7010/_d30075.jpg

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Abnego

Abnego de ti.

Abneguei em muito nos últimos tempos.
Abneguei de meu lar,
Minha estabilidade,
Minha sanidade.

Abneguei-me de minhas mentiras,
Abnego-me agora das tuas.

Passado o tempo vi que não conseguiria
mais viver minha vida daquela forma, 
não aguentaria mais meu corpo preso aqui, 
estando minha essência distante, 
contigo em outro universo.

Abneguei inclusive de mostrar-me 
tal como sempre quis: 
inatingível, inabalada;
No entanto,
mostrei-me como sempre
foi de meu agrado: com convicção e determinação.

Percebo que a teoria mostra-se diferente da prática.
Percebo que a imagem construída, desmorona, se liquefaz.
Percebo que talvez tudo aquilo que me encantou,
talvez fosse,
apenas um delírio incontido dentro de si mesmo.

A letargia manteve-me por todo esse tempo,
Adita neste placebo, agora revelado.
Fim do teste de duplo cego,
O qual se mostrou estatisticamente significante
Para o tubo branco.

No entanto.

O que seria o fim,
Senão um começo
de trás para frente.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ode a Curitiba

Acordei com um pombo batendo contra minha janela, exatamente 3 minutos antes do meu celular despertar... Para minha sorte já havia sido alertada para este fato dias atrás quando uma delas quase adentrou meu quarto, caso contrário, poderia ter sido bem pior... Umas das coisas que não gosto nas cidades grandes são as pombas, aqui elas que vem me acordar ao invés dos pássaros das cidades pequenas.

Amo essa cidade, mesmo não sendo minha, já que não nasci aqui, mas sinto que ela pertenço sendo está interiorizada em meu ser mais que qualquer outra...  Mesmo não tendo lembranças distantes e ser uma pessoa nostálgica, isso não a diminui em nada meu sentimento. As cidades em que passei períodos mais distantes ou nunca mais vi ou mudaram muito... Não sou daqui, mas sinto como se tivesse nascido, crescido e morrido nesta terra... Logo comigo que era tão Catarinense... Lá costumo me encontrar perdida, sem referências. Me encantei por este lugar desde a primeira vez que o vi e no fundo já sabia que viria para ficar.
Amo o centro, Centro Histórico com toda aquela nostalgia pulsante, transportando para um período há muito esquecido, O Paço da Liberdade com seu café Cult e incrementado, o Largo da Ordem e suas ébrias lembranças, o andar cambaleante pelas pedras irregulares do antigo calçamento... A Riachuelo com seu cheiro tão peculiar de móveis antigos... Aquele cheiro de madeira crua transporta-me para um passado que nem eu mesma conheço... A Praça Santos Andrade: Minha vista de todas as manhãs, UFPR prédio histórico... Quanta inspiração... Somada ao sonho de um dia, quem sabe, fazer parte daquilo... E agora fazer...

Logo mais para frente à Reitoria... Oh, quantas vezes me derrubastes, me carregastes para um mundo paralelo, me destes a sensação de um amor mal resolvido que iria insistir por anos em invadir meus pensamentos... Todas aquelas pessoas tão estranhas para os outros, tão semelhantes para mim... O ogrobol... O DCE com suas paredes forradas de tantas coisas, tantos pensamentos, tantas ideologias, uma frase de Leminski... Assim como vejo vez que outra na parte da Arquitetura do Politécnico... Politécnico seus gramados tão desejados, o cheiro da grama quando recém-cortada, o cheiro de mato tão raro, tão ressaltante, tão apaixonante... 

Os lugares turísticos os quais para mim sempre terão o mesmo encanto desde a primeira vez que os vi, o modo de vida peculiar da cidade, tão semelhante ao meu, tão rude, reservado,  seus hábitos típicos, seus inverno rigoroso acompanhado de um quentão da Praça Osório se torna algo bem-vindo. Essa cidade exala um cheiro de cultura. Tão próprio... Aqui posso discutir Literatura, Filosofia, Sociologia que as pessoas costumam ler, costumam ir ao teatro, costumam não me achar um aliem como na minha cidade pequena, provinciana, tomada por pescadores onde ao citar Nietszche as pessoas ou se benziam ou desejavam saúde...

 Adoro ir na XV e ver o povo... Sempre tão peculiar... As figuras ilustres como o Oil Man, na faculdade ainda tem o Dance Boy... Todos de algum modo ligados ao estudo da vida... Sinto que tenho a possibilidade de me tornar um personagem semelhante, caso eu acabe não resistindo e ficando passando a linha da loucura considerada normal...

Sinto-me em casa, nesta cidade, mesmo não tendo nenhum parente por perto a grande maioria dos meus amigos são daqui, os quais todos nasceram, cresceram aqui estão, daqui reclamam, mas também partilham tão intenso sentimento. Sair e ir para o Largo é sempre tão bom, mesmo que seja para ir ao mesmo bar, ouvir a mesma banda, com os mesmos amigos, na verdade é assim que eu gosto mais. Dia desses resolvi sair em Balneário Camboriú... Fui ruim como sempre é... Lembro-me de ter gostado apenas em duas ocasiões, geralmente acontecem coisas ruins... Mas isso é outra história, vou indo, pois já falei demais por hoje.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Brinde

Á paixão levanto essa taça de vinho tinto. Ah paixão... Paixão inconstante tal quais as chuvas apocalípticas de verão, as quais tanto me agradam com seu odor límpido característico de terra molhada, com seus ventos sem destinos, com seu prenuncio de duração eterna, com seu fim inesperado, com duração indeterminada.

Dia desses ao sair feliz de casa encontrei um garoto no elevador, aquele que estava prestes a descobrir as maravilhas da adolescência... Estava arrumado e usava um perfume característico, como o de alguém que custei a descobrir, ele conferia os detalhes no espelho do elevador e eu pensava em quem seria a merecedora destes detalhes de alguém que parece sair para seu primeiro encontro, fiquei feliz ao perceber que coisas como essa não mudam com o tempo. Então a felicidade boba se apoderou de meu ser.

Lembrei-me da ultima vez que vi essa ao andar pelas ruas do centro, os prédios históricos e o cheiro de cultura sempre pairando pelo ar me fazem bem nessa cidade... Mas o motivo daquele dia era diferente. Lembrava de um carinho escancarado no qual nos dias de hoje só provem de casais, tratava-se de casal, mas de amigos quase irmãos, nada, além disso, amizade casta e intocável desacreditada por toda a sociedade. Abraçar as pessoas hoje em dia sinal do ser ébrio se apoderando do ser racional, abraçar as pessoas às vezes é realmente culpa da bebida, outras vezes a bebida que é desculpa para abraçar as pessoas sem se preocupar com os pré-julgamentos.


Hoje naquela profunda vivencia com seus entrelaces, com seus contrates tão bem definidos estava eu em minha longa viagem perto demais que alcançava e compreendia tudo. Minha paixão ao todo esparramada encontrava-se focalizada então naquilo que mais estimava, não mais em figuras inexistentes que eu transportei tantas vezes para atores reais. Agora tudo estava em seu lugar, e eu perdida no meio do macio.

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos Namorados, ou não...

Essa histeria coletiva na qual muitos mergulham, essa carência coletiva, esse querer se estar com alguém para estar na moda, buscar um alguém que existe em sua mente, realizar um ideal romântico com alguém que não se manifesta, tornar alguém ator de seus delírios.

Às vezes uma chance a mais de receber um sim há muito tempo esperado, às vezes, a oportunidade de dar um sim a um sentimento a muito negado. Ás vezes uma simples devassidão, uma simples obrigação, um simples delírio personificado, um senso comum aplicado.
Hoje muitas pessoas pensaram muito e não fez nada.

Outras tentaram fazer e não conseguiram.
Outras apenas seguiram a moda.
Outras expressaram seu amor.
Outras tantas se afundaram no chocolate.
Eu apenas fiquei aqui a pensar e a viver.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

The Half Man She Used to Be

O nomadismo nunca a incomodou, iniciou por vontade própria e prosseguiu sendo carregada em um porta-malas para um local desconhecido, e para lá foi apática. Mas era bom ter a família reunida e não ser mais presas pelas portas do condomínio. E em uma piscina de borracha com uma bola colorida conheceu um dos grandes amores de sua vida.

Construiu um diário com sonhos, ambições que quando menos esperava se abriu para vários outros homens e a traiu. Uma das lições mais difíceis de aprender, e que sua mãe sempre a advertiu: “Melhor guardar só para si, cadeados nem sempre são tão seguros quanto parecem”. Então ela mesma começou a se transformar em metal sólido e barato que volta e meia se combinava com o Cloro, mas por mais que tentasse era diferente, não conseguia criar potencial de ação e excitar o mundo a sua volta.

Com o tempo conheceu pessoas sóbrias e sozinhas como ela que diziam que era melhor assim, a maior parte de seus amigos eram póstumos. Até que conheceu o oposto de tudo isso, a sinceridade, a espontaneidade que lhe embriagou e levou para o cume da colina, um local cheio de verde e totalmente desconhecido para aonde sempre quis ir... Chegou a ir sozinha mesmo sem a menor certeza de que o encontraria por lá, encontrou e se despediu... Seu ultimo vestígio foi um livro ultra-romantista que se perdeu pelo caminho.

Em suas andanças certa vez encontrou um carrapato verde, redondo que parecia ser uma uva itália, ela gostou da semelhança com seu tipo de uva preferida... As pessoas lhe alertaram que não era positivo ter um parasita e que poderia ser chato. Ela sempre gostou de Biologia, recordou-se das horas pedidas na infância analisando a estrutura de um protozoário em dicionário velho e empoeirado... Achava que poderia ter seu amor correspondido nesse caso. Tratou de hospedá-lo, cuidar como parte de si. Mas o bicho ingrato apesar de todo o amor, ao se encher de sangue foi embora, sem dizer ao menos obrigado.

Depois disso tudo mudou completamente, passou a detestar o duende da colina verde e foi para uma montanha cinza, e assim começou a ter essa cor, não desistiu de seu amor à ciência apesar da cicatriz. Ela precisa sentir, ela precisa viver... Ela precisa odiar, precisa sair desse vidro de conserva.

O muro caiu, ela também, mas assim ela nasceu.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Long Live Rock!


Ah essa paixão que move tanta gente, que acompanha paixões, aproxima pessoas, diferem muitas delas... Esse ano a comemoração é dupla: 40 anos de Woodstock em agosto.

O rock e suas múltiplas fases, sua infância ingênua, sua adolescência rebelde, revolucionária e byronista, sua depressão ao atingir maturidade, a sua diversidade na década passada. Porém agora anda se escondendo, dizem que anda meio esclerosado, em estado vegetativo, outros que morreu, outros que apenas está dando um tempo, ou ainda que anda por ai a toa... Creio que continua vivo, dentro de todos nós, dentro dos cenários undergrounds e vagando por ai.
O rock que cultiva amores, ícones, conta a história da sociedade da época, move multidões, cultiva amores platônicos, em especial por homens que já partiram ou com os quais se cultiva na memória uma imagem que jamais envelhecerá, mas afinal, quem já não os teve?!
Brindemos à esse amor que se estende por gerações, ao cd do Creedence da minha mãe, aos vinis que muitos de meus amigos roubam dos tios, às vitrolas, à velha pergunta cretina : Beatles ou Stones, ao Woodstock, a beleza e imortalidade de nossos grandes ícones.
Eu desejo que tenhamos ainda boas levas de musicas e bandas, que muitas gerações ainda sejam conquistadas pelo rock e sua beleza excêntrica e verdadeira, que continuemos com as críticas sociais.
Paz, amor e rock'n'roll!

sábado, 4 de julho de 2009

Pure and Easy

É difícil captar a essência de nossa própria existência. É difícil captar os momentos para poder descrevê-los, quanto mais os minutos se esvaem mais complexo parece conseguir englobar, exprimir, tentar fazer-se sentir através de palavras, algo impossível e todos sabem disso. Porém o homem sempre irá tentar o impossível, tem incrível vocação para tal. “Somos nós os grandes deuses” teoria meio budista que eu adorava espalhar.

O impossível, o inalcançável, o bom, o puro, o infinito, tudo que parece intocável, muitas vezes é apenas imperceptível, que já se tem. Como dizia uma poesia que marcou minha infância.

Céu - Manuel Bandeira
A criança olha
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha.
Quer tocar o céu.
Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quando o tem na mão.

Eu sempre busquei o mais complexo, o mais excêntrico, sempre tentei na verdade não conseguir. Sempre quis fugir, sempre querendo ser forte e inabalável, inatingível e ao buscar isso mais fraca não poderia ser.

Sempre me afastei das coisas suaves, simples e puras, tinha medo de contaminá-las, e acabei eu me intoxicando com o próprio veneno. Com medo de estragá-las ou de nelas viciar procurei outras drogas as quais demorei a me libertar, mundo fútil dos interesses, do querer sentir sem ao menos ter algo para tal, havia apenas uma vontade fútil.

Não se acreditava porque com isso se iludia.
Busquei me jogar na ressaca que sempre busquei fugir em uma atitude meio junkie que não tem nada a perder. Assim acabei me perdendo e me reencontrando, consegui então sentir a sístole e a diástole pela primeira vez apesar de viver a tantos anos. Senti o sangue jorrar, se espalhar, senti cada célula do meu corpo, senti como é existir, toquei a existência e por ela agradeci, oh sonho denominado vida.
Muito obrigada por estar de volta.

domingo, 28 de junho de 2009

O Cientista e o Hippie

Eu discuti com meu amor terça-feira, sempre que ocorrem discussões graves como aquela, penso em como seria minha vida se ao invés dele tivesse escolhido aquele hippie, alternativo, estranho e feio, porem cult, o qual não me prometia nada além de prazer, diversão e certo byronismo. Ele não discutiria e seria rude comigo dessa forma. Porém escolhi aquele cientista complicado, bonito e com um futuro promissor, que muitos planos me fez.

Amo ambos, porém ainda não esqueci meu primeiro amor, por mais que o segundo me proporcione momentos adoráveis. Depois daquela briga feia de ontem começávamos a nos acertar. Mas o que eu realmente não esperava era rever meu antigo amor hoje. O cenário era um prédio destroçado, conversamos um pouco, eu fiquei hipnotizada com seu olhar profundo e seu jeito de quem acordou e pegou a primeira roupa que achou jogada no chão. Até pensei em agarrá-lo e levá-lo comigo, bebermos um vinho e filosofarmos... Discutimos socializarmos, relembrar aquelas noites voluptuosas...

Mesmo não concordando muito com meu sogro, poderia muito bem conviver com ele afinal, seu Comte é complicado, meio rígido e tudo mais, diz que eu ando levando o filho dele para o caminho errado, que deveria seguir pela direita. Se bem que até ele concordou com minha escolha. Falou que foi a primeira decisão sabia que tive.

Pensei também em manter um triangulo amoroso, mas sei que eu não teria competência para isso... Ficaria exausta, acabaria fazendo a mesma escolha, e meu hippie que nem é tão feio assim não me olharia mais com aqueles olhos encantadores e aquele sorriso adolescente. Melhor continuarmos sendo amigos... O que importa é jamais esquecer dos bons momentos que vivemos juntos, ele acabou me contando que está afim da minha melhor amiga. Eu que apresentei ambos, no inicio fiquei furiosa, rubra de raiva, porém, se não é para nós sermos feliz, que ela o seja, amo ambos também. Agora tenho que ir, meu cientista me espera para tomarmos um café