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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Manhã de Sábado

-Bom dia...
-Bom dia...
-...
-zzzz....
-Não vais levantar?
-Sinto não possuir forças.
-Hm.

Começava-se o dialogo mudo entre dois quase desconhecidos, mente ainda adormecida, tentando refazer os caminhos da noite anterior. Dialogo com meias palavras, conduzido de modo pausado, sussurrado, desritmado, descompensado, arrastado, esbarrando entre os lábios que tendem a se fechar, de modo a fazer companhia aos olhos. O sol de sábado iluminava minimamente o quarto, iluminava o corpo pálido com ossos proeminentes.

O protocolo fora quebrado, deveriam levanta-se e despedir-se. Ficou lá, o tempo a transcorrer. Ela resolve colocar um sobretudo e ir a farmácia, sai então de modo indiscreto, sobretudo frente ao sol, chinelo, resquícios de maquiagem da noite passada, cabelo despenteado, exalando a fumaça de cigarros alheios diluídos em suor e fluidos. Olhar desinteressado frente aos olhares de reprovação. Pega um pacote grande de preservativos e uma escova de dentes, sem cerimônias, paga, guarda no bolso e volta pelo caminho em seu andar rastejante sob as havaianas que quase se perdem pelo caminho.

Lá está ele do modo como o deixou.
-Comprei isso aqui... Faça favor de usá-los já que vai ficar ai... -  Diz ao colocar sob a escrivaninha.
-Hm...
-Vai comer?
-Não, não precisa. Não consigo sair daqui...
-Vou pedir comida para a gente então.
-Não tenho dinheiro.
-Eu tenho... Não dá nada.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Falsidade Ideológica

Talvez, para a maioria das pessoas, a sinceridade é querer demais. Alguns culpam a religião, outros os costumes, às vezes as regras de boa convivência, muitos nem sabem o que sentem. A verdade nua e crua pode ser dita, não necessariamente com essa discrição de um bife congelado, mas temperada com um pouco de humor, jeito e bom senso. Em alguns casos um bife congelado pode ser bem apetitoso também, entretanto, isso é só parte da minha personalidade peculiar. Uma explicação detalhada ou um pouco de filosofia ou racionalidade podem resolver problemas com o sistema nervoso simpático que nada tem haver com simpatia de fato.

O maior problema é quando a falsidade vem de dentro e engana-se a si mesmo, encarna-se o personagem, vive-se em uma realidade paralela mais cômoda, porem cedo ou tarde a verdade insiste em bater a porta com um balde vermelho contendo lágrimas, as vezes para ser divido entre você e o ator coadjuvante da peça, as vezes somente para ele. Parece-me que se valoriza mais as palavras que o sentimento de ser amado, quando a verdade surge, ela se espalha pelo ar como um esporófito, não necessitando ser afirmada veementemente como falsos discursos eleitorais. O silêncio sempre foi meu bem mais sincero. Meu jeito rude afasta os fracos presos em seus dogmas e mantêm os poucos fortes e sinceros os quais realmente me importam.

Fim de ano! Vamos às compras, um bom disfarce na falta de um abraço simples e sincero.