sexta-feira, 22 de junho de 2012
Café preto sem açúcar
Era ansiosa
As vezes
As coisas
eram como café:
deliciosas, fortes, intensas
quando quente,
porém...
[...]
No entanto,
Estava se curando
Isso também estava
passando lentamente
por entre o filtro
com água quente
Corria-se o risco de transbordar,
de borbulhar e queimar
aquele que ousasse experimentar
no impeto flamejante
chafurdar
segunda-feira, 5 de março de 2012
Discussão de Gênero
Abnegaria dos prazeres carnais
para ser tratada com um pouco mais de respeito
Um pouco menos de mentiras
Um pouco menos de machismo
Garotos de esquerda fascista,
Que se dizem feministas
Conheci alguns,
Apaixonei-me
Perdidamente
Doce utopia ao deslizar por entre as minhas pernas
Doces lábios que saiam do discurso e embalavam meu imaginário
Palavras belas, escolhidas para demonstrar maior erudição
Sempre garotos da área de Humanas,
Humanos, demasiadamente humanos
Ser desumano: típico dos ser humano
Nunca entendi a Etimologia
Aquele estudante de comunicação que se calou
Para mim para todo o sempre
Foi quem me conduziu ao psicólogo e ao psiquiatra
Pensei que estaria passando dos limites ao sentir tudo aquilo
Queria um anestésico forte
Ele se calou em repudio as minhas palavras grossas
Ao meu escárnio, sarcasmo e ódio incontidos
Passei a pensar que a culpa era minha
Eu assim havia permitido,
Ele era inocente,
Nada que eu havia falado fazia sentido
Não deveria tê-lo xingado
Mas melhor manter-se calado,
Assim ninguém mais é enganado,
Tal como ela havia sido
Eu seria a próxima da fila
Aquele outro pregava o amor livre,
Queria um relacionamento aberto,
Falava de feminismo.
Adentrei um relacionamento aberto onde
Ele pensava que só ele era inseguro
Onde eu era a vadia, prostituída
Onde ele poderia amar duas
E ele não se continha
quando eu conhecia
outros lábios
Direita ou esquerda
Ele me disse não perceber seu machismo
Eis o problema da acomodação
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O Brinde
Á paixão levanto essa taça de vinho tinto. Ah paixão... Paixão inconstante tal quais as chuvas apocalípticas de verão, as quais tanto me agradam com seu odor límpido característico de terra molhada, com seus ventos sem destinos, com seu prenuncio de duração eterna, com seu fim inesperado, com duração indeterminada.
Dia desses ao sair feliz de casa encontrei um garoto no elevador, aquele que estava prestes a descobrir as maravilhas da adolescência... Estava arrumado e usava um perfume característico, como o de alguém que custei a descobrir, ele conferia os detalhes no espelho do elevador e eu pensava em quem seria a merecedora destes detalhes de alguém que parece sair para seu primeiro encontro, fiquei feliz ao perceber que coisas como essa não mudam com o tempo. Então a felicidade boba se apoderou de meu ser.
Lembrei-me da ultima vez que vi essa ao andar pelas ruas do centro, os prédios históricos e o cheiro de cultura sempre pairando pelo ar me fazem bem nessa cidade... Mas o motivo daquele dia era diferente. Lembrava de um carinho escancarado no qual nos dias de hoje só provem de casais, tratava-se de casal, mas de amigos quase irmãos, nada, além disso, amizade casta e intocável desacreditada por toda a sociedade. Abraçar as pessoas hoje em dia sinal do ser ébrio se apoderando do ser racional, abraçar as pessoas às vezes é realmente culpa da bebida, outras vezes a bebida que é desculpa para abraçar as pessoas sem se preocupar com os pré-julgamentos.
Hoje naquela profunda vivencia com seus entrelaces, com seus contrates tão bem definidos estava eu em minha longa viagem perto demais que alcançava e compreendia tudo. Minha paixão ao todo esparramada encontrava-se focalizada então naquilo que mais estimava, não mais em figuras inexistentes que eu transportei tantas vezes para atores reais. Agora tudo estava em seu lugar, e eu perdida no meio do macio.