Mostrando postagens com marcador Depressão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Depressão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de março de 2012

Discussão de Gênero

Cortaria meu clitóris para me afugentar destas dores
Abnegaria dos prazeres carnais
para ser tratada com um pouco mais de respeito
Um pouco menos de mentiras
Um pouco menos de machismo

Garotos de esquerda fascista,
Que se dizem feministas
Conheci alguns,
Apaixonei-me
Perdidamente
Doce utopia ao deslizar por entre as minhas pernas
Doces lábios que saiam do discurso e embalavam meu imaginário

Palavras belas, escolhidas para demonstrar maior erudição
Sempre garotos da área de Humanas,
Humanos, demasiadamente humanos
Ser desumano:  típico dos ser humano
Nunca entendi a Etimologia

Aquele estudante de comunicação que se calou
Para mim para todo o sempre
Foi quem me conduziu ao psicólogo e ao psiquiatra
Pensei que estaria passando dos limites ao sentir tudo aquilo
Queria um anestésico forte

Ele se calou em repudio as minhas palavras grossas
Ao meu escárnio, sarcasmo e ódio incontidos
Passei a pensar que a culpa era minha
Ele poderia dilacerar minha alma,
Eu assim havia permitido,
Ele era inocente,
Nada que eu havia falado fazia sentido
Não deveria tê-lo xingado

Mas melhor manter-se calado,
Assim ninguém mais é enganado,
Tal como ela havia sido
Eu seria a próxima da fila

Aquele outro pregava o amor livre,
Queria um relacionamento aberto,
Falava de feminismo.

Adentrei um relacionamento aberto onde
Ele pensava que só ele era inseguro
Onde eu era a vadia, prostituída
Onde ele poderia amar duas
E ele não se continha
quando eu conhecia
outros lábios
Todos parecem iguais,
Direita ou esquerda
Ele me disse não perceber seu machismo
Eis o problema da acomodação

domingo, 4 de março de 2012

As Badaladas

Nas madrugadas
envoltas pela ressaca,
dor de cabeça,
peso na consciência,
reconsidera-se a 

existência,
véspera de dia útil,
cabeça não descansa
a torrente de idéias
desconexas afoga
o ser humano.

Revirava-se na cama, levantava, tropeçava,
pisava sob os pensamentos coerentes,
batia o dedo no tocante,
chafurdava-se
no
interior de
seus monstros.

Escondidos
debaixo
da cama,
dentro
do ser
Prestes a
explodir,
prestes a
enlouquecer.

Suas vontades profanas a cercar sua vida;
busca escritos,
busca outras vidas

Espelhar-se e tentar dividir o peso da existência com desconhecidos,
apoiar-se sobre o frágil. Pisar sob cacos de vidros pensando se estes, pelo menos por esta única vez poderiam ajudar
a sustentar
o corpo
frágil e fraco. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Restaura-se

“O que procura você naquilo que já conheces?” – perguntou-lhe

“Procuro aquilo que já conheço porem que havia esquecido, cansei de procurar em corpos, copos, ambos sempre vazios, em calçadas na frente dos bares lotados... At last He used to like me... Não tem como procurar algo profundo na vazão de todas essas relações, não há como encontrar nada, estou eu e somente eu, eles estão acompanhados, eu estou na companhia das minhas próprias ilusões no canto a observar, porem sem me comover.”

“Disfarças bem neste canto” – interviu.

“Gostaria de ter o que disfarçar;
sou meu próprio disfarce,
sou minha própria marginalidade,
sou o reflexo de toda austeridade.”
– declamou para sua dose de bourbon.

“Sou a sobra que ofusca
seu próprio brilho,
sou todos os desatino,
Sou a torcida por todos,
Os quais torcem pelo meu fim.”

“Sou aquilo que acabará
por confiar naquilo que,
por ela, deixou de ser,
Cairá em sua própria armadilha
Com o sentimento de Déjà Vu "

“Compreendo... Mas e aquele seu problema de ansiedade, resolveu?” 
– Mais uma vez lhe interrompeu.

“Minha ansiedade ainda existe
Antes esperava pelo melhor
Agora ela continua
Mas não vejo muito além.”

“A gente costumava ser amigo, porque você sumiu?”

“Eu não sumi, você que nunca mais apareceu....”
–Respondeu, pela primeira vez sem interromper lhe.
“...Nem para si mesmo...” – Concluiu baixinho.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Autodestruição

Procurou, encontrou, no fundo sabia estava correndo seu fígado e por isso bebia, sabia que no fundo não tinha motivos para comemorar. Acreditava ter que descer até o fundo do poço para poder se reencontrar. Afastou-se de tudo e de todos, se juntou a desconhecidos, desceu ao subterrâneo, dizia procurar aventura, dizia procurar pessoas, no fundo só queria a escuridão e esquecer-se de si mesmo.

 Dia desses cambaleando pela rua escura encontrou um velho conhecido, velho amigo, um dos poucos que ainda se importava, não viu este, não via nada, não se importava com nada, não temia, buscava sabotar a si mesma, não se importava, não queria ninguém que se importasse. Fechava-se em si, ria esquizofrenicamente por fora, gritava desesperadamente por dentro. Buscava alguma coisa destruindo-se assim, talvez remissão, autoflagelação, talvez ressurreição, talvez se tornar fênix.

Sabia que poucos eram o que viam sua queda, poucos eram o quais compreendiam sua alma vendida, trocada por uma garrafa de gim barata. Um preço justo por um fracasso, um preço justo por uma perda tão fútil, um preço de quem não sabe quem é não conhece o valor que tem, preço de quem foi até o inferno e voltou no mesmo dia, mas que nunca seria permitida a entrada no céu.

Olhava para baixo, para onde iria estar em breve, ao fundo, cada vez mais profundo... Surge na sua frente uma mão, não saberia dizer ao certo de quem. Pega nesta e levanta. Olha para cima e lá estava a velha companhia, não acreditara, levantou-se tentou parecer menos mal, envergonhou-se.

-Tudo bem agora, vem, vamos para casa, farei um chá. Arrumo-te uma banheira, trouxe algumas roupas que havias deixado lá em casa quando costumávamos nos encontrar e passar as tardes a filosofar, tem uma cama lá te esperando.

Ela partiu, estava trilhado o caminho de Dante partindo para o limbo, em direção ao paraíso.