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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Azul

Azul é a única coisa que eu tenho daquela época... 
Eu já não tenho mais o mesmo sorriso.
A beleza deste já desbotou como meu vestido.
Assim tudo se acabou,
pensando eu que nada tinha mudado
exceto a minha forma de ver as coisas. 

Azul para ingleses: tristeza, 
para os alemães: alegria, 
Para mim: nostalgia 

daquele olhar sarcástico e desinibido.


Obs.: texto datado de um longinquou período, sendo que não mais destes sentimentos compartinho, apenas da memória de um tempo não esquecido.

domingo, 18 de setembro de 2011

O Reencontro

Ela reencontrou seu passado, conversaram por algum tempo. Nem muito, nem pouco, o suficiente. Ele lhe mostrou aquilo tudo que ela havia esquecido, mostrou-lhe seu verdadeiro reflexo. A fez parar de acreditar em suas próprias mentiras, trouxe a tona tudo que ela já sabia.

Ela não lhe disse uma palavra, deixou que ele contasse as novidades de sua vida, a vida dela. Ele lhe contou tudo que estava passando na vida desta, seus desejos, suas vontades, seus sentimentos... Relatando a vida dela com mais precisão do que ela mesma, ele via de fora, de dentro para fora, via através de tudo.

Ele era um velho conhecido, falava com um sábio, falava como quem tem uma longa trajetória, como quem vem de longe para mostrar o que não se quer enxergar. Contou os pequenos segredos escondidos em meias palavras... E assim partiu, transformando tudo para como na verdade é. 

Torna-te quem tu és

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ode a Curitiba

Acordei com um pombo batendo contra minha janela, exatamente 3 minutos antes do meu celular despertar... Para minha sorte já havia sido alertada para este fato dias atrás quando uma delas quase adentrou meu quarto, caso contrário, poderia ter sido bem pior... Umas das coisas que não gosto nas cidades grandes são as pombas, aqui elas que vem me acordar ao invés dos pássaros das cidades pequenas.

Amo essa cidade, mesmo não sendo minha, já que não nasci aqui, mas sinto que ela pertenço sendo está interiorizada em meu ser mais que qualquer outra...  Mesmo não tendo lembranças distantes e ser uma pessoa nostálgica, isso não a diminui em nada meu sentimento. As cidades em que passei períodos mais distantes ou nunca mais vi ou mudaram muito... Não sou daqui, mas sinto como se tivesse nascido, crescido e morrido nesta terra... Logo comigo que era tão Catarinense... Lá costumo me encontrar perdida, sem referências. Me encantei por este lugar desde a primeira vez que o vi e no fundo já sabia que viria para ficar.
Amo o centro, Centro Histórico com toda aquela nostalgia pulsante, transportando para um período há muito esquecido, O Paço da Liberdade com seu café Cult e incrementado, o Largo da Ordem e suas ébrias lembranças, o andar cambaleante pelas pedras irregulares do antigo calçamento... A Riachuelo com seu cheiro tão peculiar de móveis antigos... Aquele cheiro de madeira crua transporta-me para um passado que nem eu mesma conheço... A Praça Santos Andrade: Minha vista de todas as manhãs, UFPR prédio histórico... Quanta inspiração... Somada ao sonho de um dia, quem sabe, fazer parte daquilo... E agora fazer...

Logo mais para frente à Reitoria... Oh, quantas vezes me derrubastes, me carregastes para um mundo paralelo, me destes a sensação de um amor mal resolvido que iria insistir por anos em invadir meus pensamentos... Todas aquelas pessoas tão estranhas para os outros, tão semelhantes para mim... O ogrobol... O DCE com suas paredes forradas de tantas coisas, tantos pensamentos, tantas ideologias, uma frase de Leminski... Assim como vejo vez que outra na parte da Arquitetura do Politécnico... Politécnico seus gramados tão desejados, o cheiro da grama quando recém-cortada, o cheiro de mato tão raro, tão ressaltante, tão apaixonante... 

Os lugares turísticos os quais para mim sempre terão o mesmo encanto desde a primeira vez que os vi, o modo de vida peculiar da cidade, tão semelhante ao meu, tão rude, reservado,  seus hábitos típicos, seus inverno rigoroso acompanhado de um quentão da Praça Osório se torna algo bem-vindo. Essa cidade exala um cheiro de cultura. Tão próprio... Aqui posso discutir Literatura, Filosofia, Sociologia que as pessoas costumam ler, costumam ir ao teatro, costumam não me achar um aliem como na minha cidade pequena, provinciana, tomada por pescadores onde ao citar Nietszche as pessoas ou se benziam ou desejavam saúde...

 Adoro ir na XV e ver o povo... Sempre tão peculiar... As figuras ilustres como o Oil Man, na faculdade ainda tem o Dance Boy... Todos de algum modo ligados ao estudo da vida... Sinto que tenho a possibilidade de me tornar um personagem semelhante, caso eu acabe não resistindo e ficando passando a linha da loucura considerada normal...

Sinto-me em casa, nesta cidade, mesmo não tendo nenhum parente por perto a grande maioria dos meus amigos são daqui, os quais todos nasceram, cresceram aqui estão, daqui reclamam, mas também partilham tão intenso sentimento. Sair e ir para o Largo é sempre tão bom, mesmo que seja para ir ao mesmo bar, ouvir a mesma banda, com os mesmos amigos, na verdade é assim que eu gosto mais. Dia desses resolvi sair em Balneário Camboriú... Fui ruim como sempre é... Lembro-me de ter gostado apenas em duas ocasiões, geralmente acontecem coisas ruins... Mas isso é outra história, vou indo, pois já falei demais por hoje.

domingo, 26 de junho de 2011

A Tranquilidade do Mar

“Parece-me que ao me debruçar sobre o passado posso tocá-lo, mera ilusão lendária para fazer-me morrer afogada ao ver meu reflexo deturpado.”

Voltei, voltei para passar alguns dias. Relembrar o tédio adolescente... Esconder-me novamente... Dentro do meu quarto com meus amigos póstumos, esconder-me de toda humanidade, de todo o frio do lado de fora.

Voltei aos velhos dias e entendi porque sinto que o tempo tem passado tão rápido. Aqui ele congela, se esvai lentamente, as horas daqui são como dias de lá. Após a maioridade não os  vi passar, mas isso não deve ao fato de ter crescido, mas sim por ter me mudado. O tédio me consome como as batidas da onda do mar hipnotizam. Não sei como consegui viver tanto tempo aqui... Tanto tempo, tanto tédio, sem desenvolver nenhum tipo de adição ou doença psíquica. Somente desenvolvi meu afastamento social e fortaleci minhas amizades com esse povo que já partiu desta há muitos e muitos anos.

Agora é o momento que me perguntas por que então não volto para meu quarto, revejo as velhas amizades e paro de reclamar?! Estou de férias, de fato não quero me ocupar. Minha mente pelo menos não. Gostaria de ocupar-me sem grandes afazeres intelectuais.

Meus amigos se mudaram, alguns até já casaram e pensava eu que as pessoas não faziam mais isso... Outros já me esqueceram, de alguns eu mesma custo a lembrar, a maior parte, meros conhecidos com alguns trechos na minha vida, muitos com um espaço grande lá dentro. Nenhum aqui nem agora.

 Acho que vou voltar lá jogar bisca com meu avô, tomar um chimarrão,  ver sua nova velha invenção, ouvi-lo exaltar as belezas da natureza; ouvir as lembranças hipocondríacas da minha avó, seus comentários de como estou magra, o seu oferecer de pão, cuca, bolacha, chá, suas histórias e suas nostalgias, diferentes das minhas. Pois é isso também disso que eu sinto falta e faze-me sentir em casa. 

domingo, 12 de junho de 2011

Ode a quem nunca mais vi passar

Nostalgia de andar sozinha pelas ruas, fim de tarde, fim de semana, domingo entediante, olhar para o meu caminhar, a sucessão de passos, all star furado, desbotado, a sucessão de poucas pessoas na rua, o passar do tempo esperando encontrá-lo...  Nada com ele marcado... Cidade pequena... Um único caminho, pelo domingo, ele haveria de passar. Coincidência fácil de forjar. Saudade desses encontros tão falsamente inesperados, saudades daquele sorriso tão amplamente sincero o qual estancava os esfolados adolescentes das minhas pernas finas cobertas por meias coloridas. Sorriso contagiante que mudava a cor da penumbra do anoitecer de um dia tão cinza. Os anos voaram como o tempo que levei para encontrá-lo ao dobrar aquela esquina.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Esvaindo-se

Ela fingia que lia o livro, mas na verdade pensamentos não a deixavam levantar vôo por aquela história. Ficava lá pensando naqueles dias não tão distantes... Ficava a reeler a mesma página com uma teimosia distraída.

O que seria aquela ficção perante a persistência daquelas memórias tão surreais quanto os quadros de Dalí. Aquele quadro surgira da espera...  Assim como a dela, que fingia ler enquanto ficava ali, tentando esconder atrás daquele livro, a ansiedade em vê-lo.

 A quem ela queria enganar?! O tédio escorria por entre aquela mesma página, a preguiça se apodera daquele corpo, envolvendo-a, formando uma áurea transparente. Que some de forma fulminante com o soar da campainha. 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Visita

A inspiração voltou como quem vem de longe... Como a brisa marinha trazida ao alto da montanha por uma chuva torrencial que vem lavando tudo... Com ela muitos detritos esquecidos. Veio sem perguntar se poderia, veio com muita bagagem, e eu, na condição de hospede, tendo que recolher as malas... Curiosidade mórbida pelos velhos presentes que estariam lá...

A visita era quase tão velha quanto eu, seu nome: Nostalgia, na sua áurea: medo e alegria. Sentimentos opostos que contrastam e tecem esse tapete de retalhos que eu escondia bem lá no fundo da casa, perto da lavanderia.

Esconder é ocupação antiga... Quando criança aonde tinha uma gaveta na qual escondia tudo que minha mãe falava que deveria ser guardado. Mas esconder não funciona por muito tempo... Um dia a gaveta ficou muito pesada, perdeu seu elo com aquela espécie de trilho onde deslizava e nunca mais se abriu. A força da criança era insuficiente.

Gavetas tais como as de Dalí que só a psicanálise poderia abrir? Quem sabe? Sei que já não ando mais tão à toa quanto aquela época, sei que já não absorvo mais tudo tão facilmente...

Passada a infância e adolescência... Agora quero saber a procedência de tudo: a fonte da afirmação, a safra do Cabernet Sauvignon, o qual na época não existia na minha vida, tomava em vez deste um vinho barato... Daqueles denominados tinto suave, ou seja, vinho seco com açúcar a qual maximiza seu enjôo na ressaca.

Ressaca na praia naquela onde pensei que as ondas teriam levado consigo os pedaços daqueles momentos com o vai e vem das ondas, assim como moem as conchas.