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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ócio da Madrugada

Fim de um dia de verão, por entre a escuridão chagada à hora de seu encontro com a solidão, na hora marcada, madrugada, imensa nesta, ao tatear depara-se com silencio. A temperatura se torna enfim mais amena, a tranqüilidade imunda a sala; a cidade que não dorme estava agora a tirar o sono dos pacatos moradores das pequenas litorâneas.

Sabia que muitos possuíam modo similar de aproveitar seus dias dedicados única e exclusivamente ao ócio, invertendo os dias abafados pelas noites serenas.

Lembrou-se então de inúmeras conversas ínfimas adentrando madrugadas sobre assuntos profundos tratados de forma simples e cotidiana. Acompanhou o movimento de chegadas e saídas, observou pela janela que inúmeras pessoas compartilhavam de sua insônia voluntária.

Liberdade detinha agora para estudar aquilo que não alimentará o corpo e sim a alma; momento de voltar à essência e buscas novas filosofias, rever questões políticas, apaixonar-se pela literatura. Apaixonar-se pela inconstância, aprender a praticar o desapego. Voltar a interessar-se por assuntos antigos. Reencontrar a paixão pela existência e pelo existencialismo, deixar de lado o niilismo cotidiano.

Desprender-se, o corpo se mantém em seu lar, a mente não mais está. Fez então um café, acende a luz, empunhou a caneta em sua mão e começa a redigir madrugada adentro. É bom estar de volta.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Geada e Neblina

“Você tem que mudá o finar da minha história” dizia a voz dentro dela. Acordará de forma nebulosa, dia com cerração baixa, daqueles dias os quais é difícil acreditar na sabedoria popular “cerração baixa, sol que racha” na verdade... Pensando bem... Isso nem rima. A neblina encobria a cidade, parecia que noite, mas era o inicio do dia, que pelo visto nem teria começado. Pensará ela então o porquê dessa frase em sua cabeça, a frase do filme dublado, aquela dublagem tão engraçada e patética, que faz esse suspense se transformar em comédia, tal qual sua vida a qual também vinha sofrendo com tal metamorfose.

Acorda, prepara o café, liga a TV, descobriu quanto estava valendo o quilo da soja, descobre a cotação do dólar, coisas tão longe da vida dela, mas ao mesmo tempo tão presentes. Acordará mais cedo, para aproveitar melhor o dia. Tomara café, sentará e observara o movimento, a bela vista histórica de seu apartamento, tão velho quanto. Observava as pessoas a andarem rapidamente todas encasacadas, o relógio marcando -2ºC, e ela acordada, em frente à janela “suada” nada por fazer, quis acordar mais cedo apenas para ter mais tempo para não fazer nada.

 Lembrou da voz daquele carinha nerd a lhe dizer que o tempo ocioso é tempo desperdiçado, pobre garoto esperto, dito tão inteligente, mas com tanto para aprender... Para ela esse era o único tempo realmente vivido, dedicado única e exclusivamente a viver, voltando à atenção para o mundo que o cerca...  Para seu verdadeiro ser e não para se sustentar, ser forçado a aprender, nunca deixamos de aprender, só tornamos o aprendizado chato, cansativo e pragmático, menos filosófico e mais objetivo, o deixamos desnudo e gélido para então devorarmos. É isso que as escolas fazem, sempre fizeram. Gostava muito de aprender, mas de maneira descompromissada, de maneira romântica em baixo de uma arvore, no tapete da sala, não em cima de uma mesa, com uma cadeira dura e fria em um lugar tão bem iluminado. 

domingo, 26 de junho de 2011

A Tranquilidade do Mar

“Parece-me que ao me debruçar sobre o passado posso tocá-lo, mera ilusão lendária para fazer-me morrer afogada ao ver meu reflexo deturpado.”

Voltei, voltei para passar alguns dias. Relembrar o tédio adolescente... Esconder-me novamente... Dentro do meu quarto com meus amigos póstumos, esconder-me de toda humanidade, de todo o frio do lado de fora.

Voltei aos velhos dias e entendi porque sinto que o tempo tem passado tão rápido. Aqui ele congela, se esvai lentamente, as horas daqui são como dias de lá. Após a maioridade não os  vi passar, mas isso não deve ao fato de ter crescido, mas sim por ter me mudado. O tédio me consome como as batidas da onda do mar hipnotizam. Não sei como consegui viver tanto tempo aqui... Tanto tempo, tanto tédio, sem desenvolver nenhum tipo de adição ou doença psíquica. Somente desenvolvi meu afastamento social e fortaleci minhas amizades com esse povo que já partiu desta há muitos e muitos anos.

Agora é o momento que me perguntas por que então não volto para meu quarto, revejo as velhas amizades e paro de reclamar?! Estou de férias, de fato não quero me ocupar. Minha mente pelo menos não. Gostaria de ocupar-me sem grandes afazeres intelectuais.

Meus amigos se mudaram, alguns até já casaram e pensava eu que as pessoas não faziam mais isso... Outros já me esqueceram, de alguns eu mesma custo a lembrar, a maior parte, meros conhecidos com alguns trechos na minha vida, muitos com um espaço grande lá dentro. Nenhum aqui nem agora.

 Acho que vou voltar lá jogar bisca com meu avô, tomar um chimarrão,  ver sua nova velha invenção, ouvi-lo exaltar as belezas da natureza; ouvir as lembranças hipocondríacas da minha avó, seus comentários de como estou magra, o seu oferecer de pão, cuca, bolacha, chá, suas histórias e suas nostalgias, diferentes das minhas. Pois é isso também disso que eu sinto falta e faze-me sentir em casa. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Coisas que só acontecem comigo, parte 6

Sabe o que é estar na hora certa no local certo? Bem... Ás vezes é mais ou menos assim...

Antes disso... Não, você não postei a parte de 1 a 5 no blog, mas não quer dizer que não aconteceram, é que apenas essa resolvi relatar. Irei mais uma vez quebrar um pouco com o estilo e com o padrão deste blog, não abordando mais memórias ou nostalgia, mas sim algo que me aconteceu hoje, abandonando um pouco a narrativa descritiva e partindo para uma crônica de mais um dia.

Tudo certo para a viagem, férias, férias, férias, mal poderia esperar. Tudo planejado, sair as 11:21hs da prova para da tempo de pegar o ônibus, passar em casa, passar no Subway pegar um sanduiche e correr para pegar o ônibus das 13:15 hs. Quase perdi o horário do ônibus, sai 11:24 hs da aula, se perdesse esse ônibus não chegaria a tempo de pegar a mala, pegar o lanche e ir para a rodoviária. E qualquer menor deslize era o fim. Um pequeno atraso atrasaria outra coisa e tudo cairia por terra, tal e qual um daqueles dominós. Porque pegar esse ônibus tão cedo então? Evitar congestionamento. Além de férias é feriadão...
Pois bem, após alguns percalços e muita correria enfim cheguei, sentei no ônibus, estava já abrindo meu Kafka quando sou interrompida por uma senhora: “a poltrona 23 é minha” olho sua passagem, ela olha a minha... Sua passagem é só para dia 29, hoje é 22. Game over. Toda a estratégia foi perdida.

“Ô moço, comprei essa passagem aqui, mas comprei pela internet, vi errado o dia, sabe como é, muita “tecnoloxia, nene” a “xente” não tá “acustumatu””. Não, não falei nem assim, mas foi como me vi, uma senhora de seus 65 anos que viveu muito tempo na colônia tentando se modernizar.

Passagem agora para esse destino apenas as 23:30hs, senhora.Comprei então para a cidade vizinha.

Ao ir embora vejo uma guria que tentar retirar sua passagem para o mesmo destino que o meu “o ônibus acabou de sair”, agora só 23:30....

Poderia ter ido naquele... É... Estava na hora certa, no local certo, na semana errada.