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domingo, 21 de agosto de 2011

Domingo

Dia cinza, frio, chuvoso, sonolento,
Típico domingo, 
Conversas que não se desenvolvem, 
Tão logo são abortadas espontaneamente.

Janela embaçada escondendo nossa própria solidão,
Escorrendo como o tempo.

Nosso tédio interior e falta de vontade de mudar,
A falta de ter uma opção para telefonar 
E com ele dividir um vinho ou um capuchino. 

Nosso e, ao mesmo tempo, apenas meu.

As pessoas bem vestidas passeando sob o forte vento
Tentando esconder atrás de tanta roupa e maquiagem
O seu eu devastado e sonolento.

Vão ao shopping preencher-se com futilidades,
Ou assumem sua condição e
Dormem ignorando a existência
Assumindo suas fraquezas.

Dividimos as mesmas concepções,
Mas não mais o mesmo recinto.

A umidade diluindo a essência; 
Deixando-nos aguados... 
Nada inesperado.
Mais um dia sem novidades, 

mais um dia almoçando as três da tarde.

Cair da noite

E então
A depressão instantânea
Véspera de segunda-feira,
Onde a solidão torna mais reclusa,
Escondida dentro de cada ser,
Que diz bom dia.

domingo, 12 de junho de 2011

Ode a quem nunca mais vi passar

Nostalgia de andar sozinha pelas ruas, fim de tarde, fim de semana, domingo entediante, olhar para o meu caminhar, a sucessão de passos, all star furado, desbotado, a sucessão de poucas pessoas na rua, o passar do tempo esperando encontrá-lo...  Nada com ele marcado... Cidade pequena... Um único caminho, pelo domingo, ele haveria de passar. Coincidência fácil de forjar. Saudade desses encontros tão falsamente inesperados, saudades daquele sorriso tão amplamente sincero o qual estancava os esfolados adolescentes das minhas pernas finas cobertas por meias coloridas. Sorriso contagiante que mudava a cor da penumbra do anoitecer de um dia tão cinza. Os anos voaram como o tempo que levei para encontrá-lo ao dobrar aquela esquina.