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domingo, 21 de agosto de 2011

Domingo

Dia cinza, frio, chuvoso, sonolento,
Típico domingo, 
Conversas que não se desenvolvem, 
Tão logo são abortadas espontaneamente.

Janela embaçada escondendo nossa própria solidão,
Escorrendo como o tempo.

Nosso tédio interior e falta de vontade de mudar,
A falta de ter uma opção para telefonar 
E com ele dividir um vinho ou um capuchino. 

Nosso e, ao mesmo tempo, apenas meu.

As pessoas bem vestidas passeando sob o forte vento
Tentando esconder atrás de tanta roupa e maquiagem
O seu eu devastado e sonolento.

Vão ao shopping preencher-se com futilidades,
Ou assumem sua condição e
Dormem ignorando a existência
Assumindo suas fraquezas.

Dividimos as mesmas concepções,
Mas não mais o mesmo recinto.

A umidade diluindo a essência; 
Deixando-nos aguados... 
Nada inesperado.
Mais um dia sem novidades, 

mais um dia almoçando as três da tarde.

Cair da noite

E então
A depressão instantânea
Véspera de segunda-feira,
Onde a solidão torna mais reclusa,
Escondida dentro de cada ser,
Que diz bom dia.

domingo, 24 de outubro de 2010

Novos Velhos Conceitos

Eles todos queria se transportar para o passado. Eu queria voltar para a adolescência para quando era a eles semelhante. A noite se iniciou com uma nostalgia de doer a alma e uma tristeza a qual insiste sofrer. No meio daquela maré embriagada de felicidade há um pequeno ponto mais gelado. O ponto mais gelado ocasiona um choque térmico no sistema, a energia cinética a se movimentar... Os átomos a mostrar toda a sua força dentro de seu ser tão pequeno e insignificante.

O copo de vidro frio trinca por dentro dele ser entornada água fervente. Mas ela insiste em desafiar a natureza selvagem e se jogar dentro daquele mar revolto, quente em meio a uma tempestade elétrica. Assim que ela coloca o primeiro pé o mar se acalma, pois ao fazer parte dele percebe que toda aquela energia é mal canalizada. Ela não estabiliza a energia e também não quer ser um mero condutor elétrico onde se prega que se deve conduzir por conduzir sem amor, mas para um objetivo maior de pregar o a forma livre do que não deveria ser conduzido.

Um mar de pura contradição, onde idéias revolucionárias e machistas formam um híbrido nem um pouco comum, pois os homens que lá estavam queriam parecer por fora maiores do que por dentro, com isso se enchiam de ar e hipocrisia. As interações fracas se criavam... Mal sabiam eles que essas podem ser alteradas facilmente. A estrutura fraca assim construída se desmonta por desnaturação a menor alteração do calor.

Seriam esponjas que se enchem de nada para se tornar maior ou palha de aço que enche tudo de ferrugem, servem apenas para causar atrito, mero condutor elétrico que sem força de outrem não tem a menor utilidade?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O cumprimento

Eu estava entretida a tirar suas coisas do escaninho, o armário escolar da biblioteca. Uma pessoa feliz me cutuca, olho para trás e acha que a pessoa havia lhe confundido de costas, como é de costume. Volta-se novamente para frente. É novamente cutucada, dessa vez a garota saltitante lhe diz empolgada e feliz:

-Oi!

Não conhecia a garota e tão logo pensei “Vou ser educada, apesar de ela estar se enganando demais, quem ela acha que eu sou? Eu nunca vi essa pessoa antes na minha longa vida.”

-Oi...

-Já te cumprimentei milhões de vezes e você nunca responde – diz a garota com um sorriso de ponta a ponta.

- Deve ser porque eu não te conheço, pensei. Mas resolve responder com um simples: “Desculpa” e tirando as coisas do armário tento correr para longe daquela situação embaraçosa. Tento por vários minutos pensar em outro desfecho para aquela história, relembo todas as atitudes que poderia ter tomado.

Será que deveria ter admitido para ela que ela não me conhecia, mas se ela me conhecesse poderia ficar chateada, não poderia tirar aquele sorriso daquele rosto ainda infantil. Mas se eu mantivesse um diálogo talvez tivesse falado besteira... Talvez acabasse por entregar o segredo que minha testa reluzia. Ou quem sabe tendo a conversa iria personificar a loucura daquele ser que pensava me conhecer.

De qualquer forma seu rosto de minha mente já se apagou e eu talvez eu continue sem responder seus cumprimentos sinceros, apimentados com um pouco de informalidade a qual eu gostaria de saber de onde vem.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

The Half Man She Used to Be

O nomadismo nunca a incomodou, iniciou por vontade própria e prosseguiu sendo carregada em um porta-malas para um local desconhecido, e para lá foi apática. Mas era bom ter a família reunida e não ser mais presas pelas portas do condomínio. E em uma piscina de borracha com uma bola colorida conheceu um dos grandes amores de sua vida.

Construiu um diário com sonhos, ambições que quando menos esperava se abriu para vários outros homens e a traiu. Uma das lições mais difíceis de aprender, e que sua mãe sempre a advertiu: “Melhor guardar só para si, cadeados nem sempre são tão seguros quanto parecem”. Então ela mesma começou a se transformar em metal sólido e barato que volta e meia se combinava com o Cloro, mas por mais que tentasse era diferente, não conseguia criar potencial de ação e excitar o mundo a sua volta.

Com o tempo conheceu pessoas sóbrias e sozinhas como ela que diziam que era melhor assim, a maior parte de seus amigos eram póstumos. Até que conheceu o oposto de tudo isso, a sinceridade, a espontaneidade que lhe embriagou e levou para o cume da colina, um local cheio de verde e totalmente desconhecido para aonde sempre quis ir... Chegou a ir sozinha mesmo sem a menor certeza de que o encontraria por lá, encontrou e se despediu... Seu ultimo vestígio foi um livro ultra-romantista que se perdeu pelo caminho.

Em suas andanças certa vez encontrou um carrapato verde, redondo que parecia ser uma uva itália, ela gostou da semelhança com seu tipo de uva preferida... As pessoas lhe alertaram que não era positivo ter um parasita e que poderia ser chato. Ela sempre gostou de Biologia, recordou-se das horas pedidas na infância analisando a estrutura de um protozoário em dicionário velho e empoeirado... Achava que poderia ter seu amor correspondido nesse caso. Tratou de hospedá-lo, cuidar como parte de si. Mas o bicho ingrato apesar de todo o amor, ao se encher de sangue foi embora, sem dizer ao menos obrigado.

Depois disso tudo mudou completamente, passou a detestar o duende da colina verde e foi para uma montanha cinza, e assim começou a ter essa cor, não desistiu de seu amor à ciência apesar da cicatriz. Ela precisa sentir, ela precisa viver... Ela precisa odiar, precisa sair desse vidro de conserva.

O muro caiu, ela também, mas assim ela nasceu.