Deu-me vontade de enviar-lhe esta epístola
Para que ela esteja aonde não pude estar,
Para que ela seja tocada e sentida por ti,
Para que ela se misture as suas coisas
E seja guardada em um canto obscuro,
Mas não perdida,
Para que ela leve uma parte de mim...
E esta, esteja contigo.
Tentando que esta leve tudo que eu sinto,
Faça-me esquecer tudo isso,
Que me perturba noite e dia.
Para que essa parte de mim,
Seja, dentro da gaveta, esquecida.
Seja reencontrada em alguma limpeza
E dela surja apenas um sorriso,
Como quem acha algo há muito tempo guardado,
E se lembra de um tempo que não volta mais.
Que fique ela junto aos teus livros,
Junto com a inspiração dos mortos,
Que em mim tu tornaste viva.
Entretanto, está carta não tem endereço,
Seu destinatário será apenas algum canto na minha gaveta:
Um lembrete para parar de agir como uma idiota.
Poderia apagar-te de todas as lembraças
Todos aqueles pequenos detalhes,
Os quais insistem em debochar de minha atual situação.
Mas de nada adiantaria,
Minha própria mente iria continuar
A sabotar-me diariamente.
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domingo, 7 de agosto de 2011
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Pesadelos protéicos
Os assuntos da faculdade me perseguem no bar
Pesadelos protéicos invadem minhas noites
Vizinhos correm com a minha felicidade
O álcool não tem mais o mesmo efeito.
Ranger os dentes a noite vira rotina.
Psicólogo, psiquiatra, calmantes e florais.
O bar só serve para me deprimir mais,
Quase posso enxergar os problemas
No fundo da negra garrafa de vinho tinto.
Insônia.
O sonho se tornou pesadelo?
Jamais, é isso que me faz acordar feliz,
Isso já basta, mesmo que por vezes vá dormir
de orelha quente.
Aliás, a mochila rasgou, espero ser mais resistente que ela...
domingo, 21 de março de 2010
Mundo nas Costas (Atlas)
Hoje a mochila estava mais pesada,
Com ela artigos de primeira necessidade,
Nela instrumentos de minha insanidade
Que a cada dia desaparecem.
Mais um dia,
Mais um esquecimento,
Mais um tomento.
O peso aumenta.
Retiro coisas dela por perder,
Retiro coisas dela por querer,
Retiro coisas dela para devolver.
O vazio é maior que o material,
Contrariando a lógica,
É ele que faz pesar.
O peso se soma aos pesares,
Cada dia minha coluna se inclina
um pouco mais.
Já não levo mais preservativos,
garrafas de vodka ou vinho,
livros de histórias.
Levo o que levarei para a vida.
Com o tempo levarei de forma imaterial,
Mas enquanto isso
colocam-se mais e mais coisas...
Minha coluna é pressionada,
Meu cérebro não resiste.
Logo será o contrário?
Nunca se sabe...
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