Cidade vazia, fim de feriado, volta a rotina... Tédio, angústia, agonia... Solidão sem nem ao menos uma garrafa de vinho. Assim seguia eu ao ouvir os meus passos, coisa rara, efeito da redução do número de carros, onde quase consegue escutar os poucos pássaros... Quarta-feira de cinzas, cinza como o céu da cidade, um meio feriado, meias alegrias, movimento pela metade, um vazio desnecessário e sem sentido; eu a desviar do meu próprio caminho, marcando desencontros com desconhecidos. Muito por fazer, mas a vontade por insiste em se perder, flutua sob este céu poluído e frio, se esconde na noite vermelha da cidade, onde o progresso apaga as estrelas, camufla o abismo.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
domingo, 21 de março de 2010
Mundo nas Costas (Atlas)
Hoje a mochila estava mais pesada,
Com ela artigos de primeira necessidade,
Nela instrumentos de minha insanidade
Que a cada dia desaparecem.
Mais um dia,
Mais um esquecimento,
Mais um tomento.
O peso aumenta.
Retiro coisas dela por perder,
Retiro coisas dela por querer,
Retiro coisas dela para devolver.
O vazio é maior que o material,
Contrariando a lógica,
É ele que faz pesar.
O peso se soma aos pesares,
Cada dia minha coluna se inclina
um pouco mais.
Já não levo mais preservativos,
garrafas de vodka ou vinho,
livros de histórias.
Levo o que levarei para a vida.
Com o tempo levarei de forma imaterial,
Mas enquanto isso
colocam-se mais e mais coisas...
Minha coluna é pressionada,
Meu cérebro não resiste.
Logo será o contrário?
Nunca se sabe...
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